Hoje, 8 de março, DIA INTERNACIONAL DA MULHER, quero
homenagiar uma menina que foi, para mim, um exemplo de força e coragem.
ANNE FRANK.
SINOPSE
"12 de junho de 1942 - 1° de agosto de 1944. Ao longo deste período, a jovem Anne Frank escreveu em seu diário toda a tensão que a família Frank sofreu durante a Segunda Guerra Mundial. Ao fim de muitos dias de silêncio e medo aterrorizante, eles foram descobertos pelos nazistas e deportados para campos de concentração. Anne inicialmente seguiu para Auschwitz e mais tarde para Bergen-Belsen."
O Diário de Anne Frank - Edição definitiva, editada por Otto Frank e
Mirjam Pressler
ENREDO
O Diário de Anne Frank revela a triste história de
uma garotinha judia e sua família que, assim como muitos outros, tiveram que
fugir dos horrores da Segunda Guerra Mundial. Anne após ganhar um diário no seu
aniversário de 13 anos começou a escrever com detalhes como era a vida no Anexo
Secreto, local onde a família Frank juntamente com a família Van Pels e o Sr.
Dussel se esconderam.
Escrevia também sobre seu relacionamento com seus pais, especialmente com o pai, que carinhosamente chamava de Pim, com Petter Van Pels, o qual Anne se apaixonou mais tarde e principalmente escreveu detalhes da Guerra. Para seu diário Anne deu o nome de Kitty e o considerava uma amiga que por muito tempo esperou.
Escrevia também sobre seu relacionamento com seus pais, especialmente com o pai, que carinhosamente chamava de Pim, com Petter Van Pels, o qual Anne se apaixonou mais tarde e principalmente escreveu detalhes da Guerra. Para seu diário Anne deu o nome de Kitty e o considerava uma amiga que por muito tempo esperou.
“ Espero poder confiar inteiramente em você, como jamais confiei em alguém até hoje, e espero que você venha a ser um grande apoio e um grande conforto para mim.”
(Anne Frank, 12 de
junho de 1942.)
COMENTÁRIOS
No
meu primeiro ano de faculdade (tradutor e intérprete) tive que fazer um seminário
sobre O Diário de Anne Frank tratando a questão da
ideologia sofrida por este no ato tradutório, e quero compartilhar um pouco com vocês sobre o que eu e meu grupo no
seminário descobrimos sobre o livro:
Em sua primeira tradução, do original holandês para o alemão, o diário sofreu muitas mudanças por questões
políticas, ideológicas e até estilísticas. Vejamos um pouco sobre essas mudanças.
ALTERAÇÕES POLÍTICAS
Anneliese Schütz, jornalista e amiga da família Frank, foi quem traduziu o diário do Holandês para o Alemão em sua primeira versão. sobre algumas mudanças feitas por ela no livro, disse:
Exemplos:
Original: “zet de Gestapo doodgewoon een
stuk of 5 gijzelaars tegen muur” (a Gestapo simplesmente coloca uns 5 reféns
contra a parede).
Tradução:
“damn hat man einen Grund, eine Anzahl dieser Geiseln zu erschiessen” (eles
então têm uma razão para atirar em alguns desses reféns).
ALTERAÇÕES IDEOLÓGICAS
Aqui Anne Frank fala do campo de concentração alemão na Holanda:
Original:
“voor honderden mensen 1 wasruimte en er zijn veel te weining WC’s. De
slaapplaatsen zijn alle door elkaar gegooid” (1 lavatório para centenas de
pessoas, e existem muito poucos banheiros. Os espaços de dormir foram todos
amontoados num só).
Tradução:
“viel zu wenig Waschgelegenheiten und WC’s vorhanden. Es wird erzählt, dass in
den Baracken alles durcheinander schläft” (muito pouca infra-estrutura para
lavagem e banheiros. Dizem que todos dormem juntos em barracões).
Aqui ela deixa claro o ódio que tem contra os alemães:
Original: “er bestaad geen groter
vijandschap op de wereld dan tussen Duisters en Jorden” (não há maior inimizade
no mundo do que a entre alemães e judeus).
Tradução: “eine grössere
Feindschaft als zwischen diesen Deutschen und den Juden gibt es nicht
auf der Welt” (não há maior inimizade no mundo do que a entre esses alemães
e os judeus).
ALTERAÇÕES ESTILÍSTICAS
Schütz alterou muito o estilo de
escrita de Anne Frank e a criatividade da menina foi suprimida na tradução. Ela não mostra Anne Frank
como uma jovem escritora com o seu estido de escrita original e com o seu bom
sentido de humor.
Quando
um saco de feijão suspendido contra a porta do sotão arrebenta, derrama seu
conteúdo e deixa Anne imobilizada:
Original: “als een
eilandje tussen de bonengolven” (como uma pequena ilha em meio a ondas de
feijão).
Tradução: “berieselt von
braunem Bohnen” (rodeada de feijões marrons).
ANNELISE MARIA FRANK
Nasceu dia 12 de junho de 1929 em Frankfurt am Main (Hesse). Filha de Otto Heinrich Frank e de Edith Frank-Hollander, tinha uma irmã chamada Margot Frank e era uma família judia.
Anne e sua família, juntamente com mais quatro
pessoas,(Peter, Dussel, Sr. e Sra. Van Pels) viveram 25 meses, durante a
Segunda Guerra Mundial, num anexo de quartos por cima do escritório do pai
dela, em Amsterdã, nos Países Baixos, denominado Anexo Secreto.
A INVASÃO DO ANEXO SECRETO

Anne
foi levada juntamente com a família para uma escola e depois para Westerbork,
antes de serem deportados para o lete da Europa. Depois foi deportada
inicialmente para Auschwitz, juntamente com sua mãe, irmã e as outras pessoas
com quem se refugiava no Anexo Secreto.
Mais
tarde levaram Anne e sua irmã para Bergen-Belsen. Em 1945, nove meses após a
sua deportação, Anne Frank morreu de tifo. A irmã, Margot Frank, tinha falecido
também vítima do tifo e da subnutrição. Sua morte aconteceu duas semanas antes
de o campo ser libertado.
Otto
Frank escapou por um milagre, pois tinha sido enviado para campo-hospital em novembro de 1944 e ali se
encontrava quando o campo foi libertado pelas forças soviéticas em 27 de
janeiro de 1945.
Otto faleceu em 19 de agosto de 1980.
SOBRE A PUBLICAÇÃO DO DIÁRIO
Foi
Miep Gies (trabalhava no escritório de Otto) que encontrou o Diário de Anne e o entregou a Otto logo após o fim da
Guerr;
Tratando de cumprir postumamente o desejo de Anne expressado no Diário de se tornar escritora, Otto ecidiu publicá-lo;
Ao ser questionado muitos anos depois sobre sua primeira reação, respondeu emocionado: "Nunca poderia imaginar que a minha pequena Anne fosse tão especial";
Foi publicado pela primeira vez em 1947 e é atualmente um dos livros mais traduzidos em todo o mundo;
O diário está atualmente traduzido em 68 línguas, com mais de 30 milhões de cópias vendidas no mundo todo, sendo o segundo livro mais lido depois da Bíblia.
Tratando de cumprir postumamente o desejo de Anne expressado no Diário de se tornar escritora, Otto ecidiu publicá-lo;
Ao ser questionado muitos anos depois sobre sua primeira reação, respondeu emocionado: "Nunca poderia imaginar que a minha pequena Anne fosse tão especial";
Foi publicado pela primeira vez em 1947 e é atualmente um dos livros mais traduzidos em todo o mundo;
O diário está atualmente traduzido em 68 línguas, com mais de 30 milhões de cópias vendidas no mundo todo, sendo o segundo livro mais lido depois da Bíblia.
MUSEU CASA ANNE FRANK
Porta que
dava para o
Anexo Secreto.
E para quem se interessar, há documentários ótimos sobre o diário que podem ser encontrados no youtube.
O livro virou filme:
Espero que vocês tenham gostado da minha (quase)
aula sobre Anne Frank.
;)
Esse é um livro que quero muito ler. Não sabia das alterações feitas nas primeiras traduções, isso mostra como uma tradução pode estragar uma obra.
ResponderExcluirEu gostei da "aula", é muito legal saber detalhes sobre um livro tão importante.
Que bom que você gostou. Mas só para lembrar que essas alterações foram feitas porque os tradutores foram obrigados, pelo governo e pela própria editora.
ExcluirHoje em dia já se encontra o livro com os textos originais.
;)
É ótimo saber das traduções, assim as pessoas em geral passam a procurar mais sobre os livros. Particularmente eu nunca tive vontade de ler esse livro, porque eu tenho pra mim que quanto mais historias triste você lê, mais triste você fica e eu nunca houvi dizer que há algo feliz na historia. Eu também gostei da "aula" e sei que futuramente vai me ajudar.
ResponderExcluirQue bom que você gostou.
ExcluirVocê tem razão, ler coisas tristes nos deixam para baixo. Mas eu AMO mesmo assim. :p
;)
Oi Dri.
ResponderExcluirAdorei relembrar essa história tão maravilhosa!!!
Como já te disse antes, esse foi uns dos trabalhos que mais gostei de fazer na faculdade.
Parabéns por essa resenha/aula super bacana e interessante.
Beijos
Oi Josy, fico feliz que você tenha conseguido comentar.
ResponderExcluirEu também amei fazer esse trabalho, principalmente com você que é uma aluna exemplar e muito disciplinada.
Saudades
Bjks
Gostei bastante das "curiosidades". Parabéns!! O post ficou muito bom!
ResponderExcluirE esse é um livro que desejo muito ler! Já vi uma versão de bolso, que tem um preço menor, mas tenho receio de que não seja a versão completa! :/
Como não chorar? Li este livro para um trabalho da escola e eu chorava toda vez que ela citava o presente. No fim, nas ultimas paginas chorei feita um bebê, me emocionei muito com a história dela.
ResponderExcluirEste é um livro bem forta, neh? Há um tempo que quero comprar, mas nunca fica disponível na Saraiva...=\
ResponderExcluirNem fazendo pedido num tô conseguindo... parece que ele está esgotado! =O
Achei o post lindo!
ResponderExcluirParabéns.
Sempre me interesso por assuntos, livros e tal sobre a Segunda Guerra Mundial, ou que tenham como pano de fundo. E eu sempre quis ler este livro. Fiquei muito animado com os comentários da obra, brilhantes, enriqueceram-me obrigado!!!
Jônatas Amaral
alma-critica.blogspot.com.br